Em 2026, mudar o Congresso precisa ser nosso objetivo comum

Este ano começou muito mal, com El Patrón botando seus pés grandes na Amazônia, mas depende de nós terminá-lo com uma grande vitória

Em 2026, mudar o Congresso precisa ser nosso objetivo comum.  A eleição se tornou uma questão de sobrevivência climática. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil.
Em 2026, mudar o Congresso precisa ser nosso objetivo comum.  A eleição se tornou uma questão de sobrevivência climática. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil.
Em 2026, mudar o Congresso precisa ser nosso objetivo comum.  A eleição se tornou uma questão de sobrevivência climática. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil.

Em 2026, mudar o Congresso precisa ser nosso objetivo comum.  A eleição se tornou uma questão de sobrevivência climática.
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil.

Faz tempo que os anos não terminam nem começam, só se emendam. Mas este janeiro se superou. Terminamos dezembro com o pacote de maldades do Congresso. Mal brindamos no Ano-Novo ao fato de ainda não termos sido extintos e, já no dia 3, acordamos e descobrimos que Donald Trump era nosso novo vizinho. Isso significa muitas coisas, entre elas que El Patrón tem agora seus dois pés grandes na Amazônia, onde o Brasil faz fronteira com a Venezuela. Como é um homem sem limites e com enorme poder bélico, pode usar qualquer desculpa, inclusive desmatamento e narcotráfico, para invadir Brasil e Colômbia, assim como qualquer país que abriga parte da maior floresta tropical do planeta.

Mas, se o começo de 2026 foi terrível, temos uma chance de terminar o ano com uma vitória.

Nada é mais importante em 2026 do que evitar que deputados e senadores cometam mais violências contra a Natureza e seus povos, encolhendo nosso tempo de existência. Nosso dever, acima de todos os outros, é impedir que deputados e senadores que atentaram contra a nossa vida – aprovando, entre muitas outras atrocidades, leis como a do marco temporal e a que assassinou a legislação ambiental – sejam reeleitos, ou outros com o mesmo espírito predatório alcancem o Parlamento. Em nome de nossos filhos e netos, em nome das outras espécies, nosso objetivo comum neste ano deve ser mudar a composição da Câmara dos Deputados e, principalmente, do Senado.

Historicamente, há pouca preocupação com o voto em deputados e senadores, o que é um erro que tem custado largas porções da nossa qualidade de vida. Votar bem é o mínimo que se espera de uma pessoa responsável. É preciso fazer muito mais do que o mínimo. Neste ano, cada pessoa, de qualquer idade, raça, classe, gênero, precisa reservar um tempo toda semana para fazer a sua parte, para esclarecer o que os candidatos fizeram de bom e de ruim, o que vai acontecer se a maioria deles for reeleito, a importância desse voto para o futuro imediato.

É preciso criar espaços para essa conversa nos locais onde cada um tem acesso e possibilidades – trabalho, escolas, família, amigos, igrejas, centros comunitários, associações, times de futebol, saraus de poesia, clubes de todos os tipos. Todos os lugares precisam ser ocupados por essa ora-ação pela vida. É necessário se articular com outros, mesmo que com diferenças de ideologias e ideias, desde que tenham o mesmo objetivo comum de proteger a Natureza, barrar o aquecimento global e, com ele, os eventos extremos que têm provocado destruição e morte. É essencial criar uma comunidade de ação.

Desde já. A eleição já começou.

Se formos dignos de compartilhar este mundo, se tivermos respeito por nossas crianças e adolescentes, nossa ação coletiva mudará os rumos do Brasil e salvará vidas. E chegaremos a 2027 muito mais fortes – porque saímos da paralisia e agimos. Além da paixão, nada dá mais brilho nos olhos do que a luta compartilhada.

*Este texto foi originalmente reproduzido pela Sumaúma.

Texto: Eliane Brum
Edição de arte: Cacao Sousa
Edição de fotografia: Lela Beltrão
Checagem: Plínio Lopes
Revisão ortográfica (português): Valquíria Della Pozza
Tradução para o castelhano: Meritxell Almarza
Tradução para o inglês: Diane Whitty
Montagem de página e acabamento: Natália Chagas
Coordenação de fluxo editorial: Viviane Zandonadi
Editora-chefa: Talita Bedinelli
Diretora de redação: Eliane Brum

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