LatitudeCast #24 – A importância da atenção à saúde mental dos indígenas

O médico Erik Jennings durante um plantão na Aldeia Zoé. Foto: Marcos Colón/Amazônia Latitude

O médico Erik Jennings durante um plantão na Aldeia Zoé. Foto: Marcos Colón/Amazônia Latitude

Dados do Ministério da Saúde e da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) indicam altas taxas de transtornos mentais e emocionais na população indígena, incluindo depressão, ansiedade e alcoolismo. Em 2021, foram registrados 138 suicídios em territórios indígenas. Em 2022, foram 116.

Esses números sequer refletem a totalidade das situações, pois muitos casos não chegam a ser notificados.

A falta de acesso a serviços de saúde mental culturalmente adequados e o estigma em torno dessas questões muitas vezes impedem que comunidades indígenas busquem ajuda.

A saúde mental indígena está intrinsecamente ligada ao bem-estar físico, social e espiritual da comunidade, e muitas vezes, as questões de saúde mental são sintomas de problemas mais profundos, como a perda de território, a falta de acesso a serviços básicos de saúde, a violência e o racismo institucional. Para abordar efetivamente essas questões, é necessário considerar o contexto histórico, social e político em que vivem as comunidades indígenas. É fundamental valorizar a diversidade cultural e promover políticas públicas que visem à garantia de direitos e à proteção da cultura e do território indígena.

No episódio 24 do LatitudeCast, abordamos a relevância da atenção psicossocial aos povos indígenas e discutimos questões como o aumento dos índices de suicídio, depressão e alcoolismo nesses territórios.

 

O psicólogo indígena Edinaldo Rodrigues, do povo Xukuru de Ororubá, participa da abertura do podcast, ajudando a compreender o contexto geral do assunto. Para ele, a psicologia é muito importante ao olhar para esses fenômenos como sintomas de um processo colonial cruel e desastroso dentro dos territórios indígenas.

A psicologia, no contexto da saúde indígena, foi atravessada por uma problemática psicossocial muito séria e a gravada por questões muito específicas, com o destaque para a questão de suicídios em alguns territórios, transtornos mentais, a dependência de álcool e o uso prejudicial de outras drogas.”
Edinaldo Rodrigues, psicólogo

Entrevistamos a psicóloga indígena Dayane Almeida Boni, do Amazonas, que compartilha sua vivência e trabalho em saúde mental na Amazônia. Também entrevistamos a psicóloga Jordana Coury, fundadora da Rasmi (Rede de Apoio à Saúde Mental Indígena).

Dayane reforça a importância do conceito de bem viver inígena.

O bem viver é o pertencimento da minha origem, sobre quem eu sou, para não perder a minha essência no futuro. É acreditar na nossa cultura, na nossa forma de viver, essa questão do cuidado com a mulher indígena, de saber a história do meu povo, buscar orientações dos mais velhos, entender o histórico de onde eu venho e o que eu quero como objetivo e nunca esquecer de onde eu venho.
Dayane Almeida Boni, psicóloga

O LatitudeCast é uma produção da Amazônia Latitude, com apresentação de Amanda Péchy, produção de Lucas Duarte, edição de Filipe Andretta e edição sonora de Celso Rabelo.

O episódio está disponível nos principais agregadores de podcast.

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