Revista Amazônia Latitude abre chamada para trabalhos sobre o Teatro da Amazônia

Serão aceitos artigos, ensaios, dramaturgias, pesquisas, fotogalerias, vídeos e outras expressões cênicas e artísticas. Confira o regulamento

Pensando a Amazônia pelo Teatro. Arte: Fabrício Vinhas / Amazônia Latitude.
Pensando a Amazônia pelo Teatro. Arte: Fabrício Vinhas / Amazônia Latitude.
Pensando a Amazônia pelo Teatro. Arte: Fabrício Vinhas / Amazônia Latitude.

Pensando a Amazônia pelo Teatro. Arte: Fabrício Vinhas / Amazônia Latitude.

O teatro é a arte de ver a si mesmo.” (Augusto Boal)

Na fresta da cena, o artista ri de suas próprias contradições, chora suas dores (individuais e coletivas) e se desarma para refletir sobre quem fomos, quem somos e o que podemos vir a ser. Ele não pertence apenas à suntuosidade das cortinas de veludo ou à acústica perfeita das galerias neoclássicas. Muito além, o teatro se faz no tablado, na poeira da rua, no terreiro, na margem do rio e na praça pública. Onde houver um corpo disposto a atuar e outro disposto a testemunhar, haverá teatro.

Na Amazônia, essa linguagem ganha contornos únicos e urgentes. A história da região é atravessada por contrastes que se refletem na sua arquitetura e na sua cena dramática.

De um lado, a imponência dos palácios erguidos no auge do extrativismo. É o caso do Theatro Arthur Azevedo (1812), em São Luís, do Theatro da Paz (1878), em Belém, do Teatro Amazonas (1896), em Manaus, e do Teatro das Bacabeiras (1990), em Macapá. Monumentos que nasceram sob o desejo de reproduzir a Belle Époque europeia no coração da floresta, mas que foram e continuam sendo ressignificados pela presença, pelo olhar e pelos corpos de artistas amazônicos.

Do outro lado, pulsa o teatro que recusa os limites do edifício. É o teatro de rua, os folguedos, os Pássaros Juninos, o Bumba Meu Boi e as dramaturgias comunitárias. Inspirado no legado de Augusto Boal e no seu Teatro do Oprimido, o fazer cênico na Amazônia transforma o espectador em “espect-ator” — um agente ativo capaz de usar a cena como ferramenta de libertação, denúncia e transformação socioambiental. Aqui, a tragédia, a comédia e o drama superam o mero entretenimento e se tornam estratégias de sobrevivência e modos de reexistir.

A iniciativa Pensando a Amazônia pelo Teatro convoca pesquisadores, jornalistas, dramaturgos, diretores, atores, contadores de histórias e agitadores culturais a enviarem suas contribuições para pensarmos o bioma, a sociedade e a emergência do nosso tempo a partir da arte dramática.

A Revista Amazônia Latitude — ISSN 2692-7446 (Impresso) | 2692-7462 (Online) — abre nesta quarta-feira (29) uma chamada pública para o envio de trabalhos voltados ao Teatro da Amazônia. As contribuições integrarão a edição especial da série Pensando a Amazônia pelo Teatro. Os materiais serão publicados de forma contínua ao longo de 2026 e podem ser enviados até o dia 30 de setembro para o e-mail: amazonialatitude@gmail.com.

Serão aceitos artigos, entrevistas, ensaios, resenhas, crônicas, pesquisas, dramaturgias e peças inéditas, roteiros, fotogalerias, vídeos e registros de espetáculos, além de outras expressões artísticas e cênicas. Podem participar dramaturgos, atores, diretores, cenógrafos, figurinistas, ilusionistas, contadores de histórias, pesquisadores, historiadores, antropólogos, professores, estudantes, jornalistas, críticos culturais, ativistas, ambientalistas, mestres do teatro popular e de formas animadas (mamulengos, bonecos, máscaras), mestres das manifestações populares cênicas (Pássaros Juninos, Bumba Meu Boi, cordões, folguedos) e lideranças comunitárias, tanto da Região Amazônica quanto de outras localidades, desde que a temática central perfaça o teatro e a cena na e sobre a Amazônia.

Processo de Seleção e Submissão

Após a submissão, os materiais passarão por avaliação da Comissão Editorial e do Conselho Editorial da revista, considerando critérios como originalidade, pertinência ao escopo da revista, adequação aos eixos temáticos propostos e conformidade com as normas editoriais.

Especificações para envio:

Seguir os perfis da revista nas redes sociais (Instagram, Facebook, X e LinkedIn) e participar do grupo da revista no WhatsApp;

Enviar os seguintes dados no corpo do e-mail:

  • Nome completo e idade;
  • Instituição de Ensino e Pesquisa (ou mencionar se é pesquisador autônomo);
  • Nome do orientador (se aplicável);
  • Formação acadêmica (graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado);
  • Resumo do trabalho (até 500 palavras);

Anexar o conteúdo (texto, dramaturgia ou mídia) diretamente no e-mail ou incluir o link de acesso.

Requisitos para produção textual:

  • De 3 a 15 páginas, conforme o gênero textual;
  • Resumo de até 500 palavras, com clareza sobre o objeto geral e os objetivos específicos;
  • Revisão gramatical;
  • Citações em nota de rodapé (quando aplicável);
  • Nota de rodapé com credenciais do(s) autor(es) na primeira página;
  • Fonte Times New Roman, tamanho 12, espaçamento 1,5 (notas em tamanho 10, espaçamento simples);
  • Pode ser de autoria individual ou coletiva (com consentimento de todos os envolvidos);
  • O material não pode ter sido publicado anteriormente.

Sempre que possível incluir imagens de apoio para a publicação no site.

Eixos Temáticos

  • A Função da Cena: A comédia, a tragédia e o drama como ferramentas de crítica política, elaboração do luto social, reflexão comunitária e denúncia.
  • O Teatro do Oprimido: Experiências, análises e aplicações do Teatro do Oprimido, Teatro Fórum e metodologias cênicas participativas em comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e periféricas.
  • Do Palácio à Rua: Contraste, história e ressignificação dos teatros monumentais da Belle Époque (Theatro da Paz, Teatro Amazonas, Arthur Azevedo, Bacabeiras) frente ao teatro de rua, de praça e de terreiro.
  • Dramaturgias da Floresta e Emergência Climática: O texto teatral contemporâneo como denúncia contra o desmatamento, o garimpo, a grilagem e a destruição socioambiental.
  • Ancestralidade, Oralidade e Performance: A transposição da oralidade, mitos, contos e rituais indígenas, quilombolas e caboclos para a linguagem do palco e da cena.
  • Teatro Popular e Formas Animadas: O papel dos Pássaros Juninos, do Bumba Meu Boi, dos mamulengos, máscaras e bonecos na construção do imaginário e da identidade amazônica.
  • Corpo, Estética e Encaixe Territorial: Como o clima, a umidade, a geografia dos rios e a vegetação moldam a preparação corporal, a atuação, a luz e a cenografia na Amazônia.
  • História e Memória do Teatro Amazônico: Registro e análise do legado de companhias, grupos independentes, dramaturgos(as) e festivais cênicos históricos da região.
  • Gênero, Diversidade e Protagonismo na Cena: Representação de corpos dissidentes, protagonismo feminino e questões LGBTQIA+ no teatro e na dramaturgia amazônica.
  • Pedagogia do Teatro e Consciência Ambiental: O uso das artes cênicas nas escolas, projetos sociais e ações de educação ambiental com crianças e jovens no bioma.
  • Crítica Cênica e Difusão Cultural: O papel do jornalismo cultural, da crítica de espetáculos e das mídias digitais no registro, análise e valorização da produção teatral regional.
  • Propostas para o Reencantamento pelo Palco: Reflexões de como a arte dramática pode promover a resistência política, a soberania cultural e a defesa do território amazônico.

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