Povo Gavião da Terra Indígena Mãe Maria

As fotografias mostradas a seguir são resultados do processo de pesquisa através da nova cartografia social da Amazônia e atividades de extensão na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), que inclui dois trabalhos audiovisuais, ambos realizados na aldeia indígena Akrãtikatêjê. Alguns registros, mais precisamente, aconteceram durante as pesquisas e desenvolvimento do Projeto e do Programa Extensão intitulado Línguas em Narrativas: território, práticas culturais e a cosmologia Akrãtikatêjê para a realização do vídeo-documentário AKrãtikatejê, 2015. Outros registros fazem parte do desdobramento dessas ações com as atividades do Projeto A valorização da língua dos Akrãtikatêjê, e a produção de um filme que dá enfoque  à relação entre cantos e práticas rituais, com o título  Akrãtikatêjê e os Cantos Gavião de 2016.

Com a intenção de  estabelecer relações de pesquisa  junto ao grupo e conhecimento mais aprofundado com imagens relevantes sobre a aldeia, as atividades foram realizadas, através de entrevistas, registros audiovisuais e oficinas. Além do acompanhamento de situações do cotidiano da aldeia na Terra Indígena Mãe, município de Bom Jesus, Tocantins, e das relações do grupo com as aldeias vizinhas.

Nesse processo, os membros da aldeia Akrãtikatêjê e do povo Gavião fizeram esforço de registrar várias situações da vida cotidiana, das práticas culturais e da língua, na intenção de valorizar e reforçar a identidade.

Também se manifestaram acerca da luta social e dos conflitos mediante impactos de grandes projetos. Isto é, primeiro frente à saída do território tradicionalmente ocupado nas imediações dos rios Capim, Moju e Tocantins. E, seguidamente, diante da construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí sobre as terras da Montanha, entre os anos de 1970 e 1980.

Segundo pesquisadores e relatos de membros do grupo Akrãtikatêjê, neste lugar denominado Montanha tinham se estabelecido nos anos de 1960, ao se aproximar a um posto do Sistema de Proteção aos Índios (SPI), em busca de garantir sua permanência, em meio a ameaças e epidemias deflagradas no processo de contato.

Após a instalação da usina hidrelétrica de Tucuruí – nas proximidades da terra da Montanha – dos deslocamentos compulsórios e, uma vez que já se encontravam na Terra Indígena Mãe Maria se depararam com os impulsos de outros empreendimentos. Dessa vez, a abertura da Estrada de Ferro Carajás, a construção da rodovia BR 222, instalação de linha de transmissão da Eletronorte, entre outras interferências até a atualidade com impactos sobre o território do povo gavião.

Nesse quadro de questões, o grupo ressalta as narrativas históricas, as situações do contato e de relações de poder, que incluso influenciaram nas práticas culturais e do uso da fala, com perdas à língua nativa. Em face disso, empreende as lutas e resistências – compreendendo parte de dessa trajetória – e que englobam as pressões atuais sobre Terra Indígena Mãe Maria.

Apesar disso, e ante os reveses das forças que regem os grandes empreendimentos nessa parte da Amazônia, as reservas indígenas da região estão entre as áreas destacadas pela biodiversidade e pela vegetação mais densa e preservada, no sudeste do Estado do Pará. Cujo território é considerado um dos mais afetados no trecho do arco do desmatamento e, marcado por numerosos e graves conflitos no campo.

 

Mulheres jovens e crianças mostrando a roça da comunidade com a intenção de ressaltar a diversidade de espécies cultivadas.

 

Homem jovem Akrãtikatêjê com destaque da pintura do grupo ritual de pertencimento e, em reforço à identidade indígena gavião.

 

Ronore Kàprere Temejakrekatê – a Mamãe Grande – anciã do grupo Akrãtikatêjê – que resistiu as epidemias, em decorrência do contato, e é uma guardiã das narrativas que assinalaram os deslocamentos forçados diante da construção da Usina Hidrelétrica de Tucuruí. Enfática na necessidade de repasse das memórias, alusiva a trajetória do grupo, através da oralidade. E, da transmissão da língua nativa, dos cânticos e demais práticas culturais, aos mais jovens.

 

Mulheres Akrãtikatêjê num esforço de usar a escrita para registrar e narrar sobre os cantos da cultura indígena. E, no intuito de manter viva na memória as músicas utilizadas no cotidiano, principalmente, pelos mais velhos e antepassados do povo Gavião.

 

Fruto de artesanato, o cesto é um item de uso cotidiano da comunidade Akrãtikatêjê.

 

Demonstração da cachopa de urucum, especiaria popularmente conhecida como colorau, de tintura na cor vermelha, e usado na pintura pela jovem da aldeia.

 

Vista a partir do monte, em direção a Marabá e áreas de fazenda com pastagem e desmatamento. O local é uma referência para os Akrãtikatêjê, e a falecido e conhecida liderança do povo gavião, o cacique Hôpryre Ronoré Jõnpikti Payaré, pai da atual cacique.

 

O maracá e outras peças de artesanato de grande valor cultural para o grupo.

 

Criança do grupo Akrãtikatê.

 

Crianças em dia de jogos e celebração do dia 19 de abril, Dia do Índio no Brasil. Data comemorativa instituída em 1943, e criada no intuito de gerar reflexão sobre a vida e a cultura dos povos indígenas do país.

 

A comunidade de Akrãtikatêjê em celebração ao dia 19 de Abril. Para o grupo a data marca a luta dos povos indígenas por respeito à cultura, identidade e por direitos ao território.

 

Gerações adultas do povo gavião junto a uma criança. Entre elas, (localizada à direita), a cacique Katia Silene Vandenilson. Seu nome na língua nativa é Tonkire Akrãtikatêjê, esta é apontada como a primeira mulher cacique entre o povo Gavião.
A narrativa da cacique Akrãtikatêjê e da antropóloga Iara Ferraz apontam que o número de integrantes do povo Gavião têm crescido. Isto é, após o momento dos primeiros contatos, quando ameaçados por epidemias e conflitos internos, se aproximaram nos anos de 1960 a um posto do Sistema de Proteção aos Índios e se estabeleceram nas terras da Montanha. E, após o deslocamento de Tucuruí, principalmente quando já estabelecidos na Terra Indígena Mãe Maria.

 

*Editado em 03/04/2019.
Rita de Cássia Pereira da Costa é historiadora, antropóloga e professora na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), assim como pesquisadora do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia (PNCSA), e integrante do Laboratório e Grupo de Pesquisa Núcleo de Cartografia Social do Sul e Sudeste do Pará.
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