Fotogaleria: quando o sagrado dança na Marujada de Bragança
Entre fé católica e ancestralidade negra, a Marujada de Bragança segue celebrando a memória e o encantamento na Amazônia

Imagens de São Benedito ornamentadas com cores e adornos representam a devoção e
o sincretismo presentes na Marujada de Bragança. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.
Realizada anualmente no mês de dezembro, em Bragança, no nordeste do Pará, a Marujada acompanha a Festividade de São Benedito e transforma a cidade em território de fé, memória e encantamento. Na edição de 2025, a celebração ocorreu entre os dias 20 e 26 de dezembro, reunindo mais de 130 mil pessoas ao longo da programação religiosa e cultural, segundo a organização.
Mais do que uma manifestação católica, a Marujada de Bragança é uma herança viva da presença negra na Amazônia. Sua origem remonta a 1798, quando 14 homens negros escravizados pediram autorização para fundar a Irmandade de São Benedito. O que nasceu como devoção também foi estratégia de sobrevivência, organização coletiva, afirmação cultural e política em um contexto de violência colonial.
É nesse entrelaçamento que o sincretismo se revela. A fé católica se mistura a saberes africanos e amazônicos, expressos na música, na dança, nas cores e nos rituais. A Marujada não separa corpo e espírito. Ela dança a devoção, canta a memória e transforma o sagrado em movimento.
As apresentações acontecem em diferentes espaços da cidade, com destaque para o Barracão da Marujada e para as procissões em terra e no rio Caeté. Sob a liderança da capitoa, marujos e marujas cumprem funções bem definidas, unindo disciplina, fé e celebração coletiva. Os trajes (azul e branco no dia 25, vermelho e branco no dia 26) marcam os momentos centrais da festividade, dedicada ao nascimento do Menino Jesus e à homenagem ao Glorioso São Benedito.
A organização da festa é conduzida pela Irmandade, ainda atuante hoje, em conjunto com a comunidade religiosa local, mantendo viva uma tradição que atravessa mais de dois séculos. Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, o evento segue sendo construído ano após ano pelo envolvimento dos brincantes, devotos e moradores de Bragança.
Mais do que um evento com data marcada, a Marujada pode ser compreendida como encantaria. Um espaço onde o visível e o invisível se encontram, onde o santo católico dialoga com ancestralidades africanas, com o rio, com o território e com forças que não cabem apenas na liturgia oficial. Cada passo coreografado entre as fitas coloridas e a ladainha entoada carrega histórias que sobrevivem gerações.
Esta fotogaleria com fotos de Oswaldo Forte registra mais do que cenas de uma festividade. Ela revela um ritual em continuidade que vive no corpo dos marujos e marujas. Acompanhe aqui!

Chapéus bordados e fitas coloridas compõem os trajes rituais usados por marujos e marujas durante a Marujada de Bragança. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude

Marujas vestidas de branco e vermelho aguardam a apresentação durante a Marujada de Bragança. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Detalhe do chapéu utilizado na Marujada, elemento central do vestuário que acompanha danças e procissões da festividade. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Marujos mais velhos acompanham a programação da Marujada, evidenciando a transmissão geracional da tradição em Bragança. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Marujos e marujas no Barracão da Marujada, um dos principais espaços da programação da festividade em Bragança. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Marujos seguem em procissão carregando símbolos religiosos, em um cortejo que une fé, memória e pertencimento coletivo. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Marujos atravessam uma rua de Bragança durante a programação da Marujada de São Benedito. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Marujos e marujas em um dos momentos coletivos da Marujada de Bragança. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Multidão acompanha a procissão em homenagem a São Benedito, reunindo devotos, brincantes e moradores de Bragança. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Arranjo floral colocado em fachada de residência integra a ornamentação da cidade durante a Festividade de São Benedito. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Com trajes tradicionais da Marujada, pariticpantes descansam em um banco da praça. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Fachada da igreja recebe milhares de fiéis durante a programação da Festividade de São Benedito, em Bragança. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Marujos e marujas seguem em cortejo pelas ruas de Bragança, transformando a cidade em território de fé, memória e celebração coletiva. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Marujo à margem da programação, em momento de descanso entre os rituais da Marujada de São Benedito, no centro de Bragança. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Mulher ajoelhada dentro da igreja em gesto de devoção durante a Festividade de São Benedito, em Bragança. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Vista ampla revela a dimensão da Marujada de São Benedito, que ocupa as ruas de Bragança com milhares de participantes. Foto: Oswaldo.Forte/Amazônia Latitude.

Marujos enfeitam o mastro de São Benedito, elemento simbólico da festividade que marca devoção, proteção e ligação entre o sagrado e o território. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Detalhe dos trajes da Marujada revela as fitas coloridas que acompanham os movimentos da dança e carregam significados simbólicos. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Imagem de São Benedito é conduzida em meio aos marujos durante a procissão, momento central da festividade religiosa. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.

Maruja participa da Marujada de São Benedito. Foto: Oswaldo Forte/Amazônia Latitude.
Texto e montagem de Página: Alice Palmeira
Fotos: Oswaldo Forte
Direção: Marcos Colón
