Documentário Pisar Suavemente na Terra procura saídas da crise amazônica pelo olhar indígena

Com relatos de Ailton Krenak, Kátia Silene Akrãtikatêjê e outras lideranças, produção mostra histórias para adiar o fim do mundo a partir da Amazônia

Observando as ruínas que a expansão do capitalismo trouxe à Amazônia, o documentário Pisar Suavemente na Terra tem na ancestralidade dos amazônidas a resposta para a produção de um novo futuro. Com estreia prevista para novembro de 2021, o filme ouve os sobreviventes de uma guerra capitalista contra a vida. Na obra, o olhar ancestral aponta os horizontes de saída ao caos capitalista que nos encontramos.

Com filmagens no Peru, na Colômbia e no Brasil, incluindo as cidades de Santarém, Marabá e Tabatinga, o roteiro é assinado por Bruno Malheiro, geógrafo e professor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, e Marcos Colón, professor da Universidade Estadual da Flórida e diretor de Beyond Fordlândia (2018). O processo de produção durou 18 meses, sofrendo interrupções impostas pela pandemia de Covid-19.

O filme, em quatro atos, inicia com um Anúncio: a destruição dos povos amazônicos é um caminho para o fim do mundo. Continua expressando a Guerra em curso, com suas engrenagens de destruição da vida, que desencadeia a Morte, como expressão cabal das escolhas que fizemos como sociedade. No último ato, os Horizontes, o filme mergulha na ancestralidade como forma de colocar no centro do mundo as cosmovisões amazônidas.

Pisar Suavemente na Terra constrói os atos com depoimentos de personagens que enfrentaram a barbárie capitalista na Amazônia. José Manuyama, indígena Kukama da Amazônia peruana, lida com a contaminação do rio pelo garimpo e pelo petróleo. O cacique Emmanuel do povo Munduruku, no Oeste do Pará, tem seu território sitiado pela expansão do cultivo da soja. A cacica Katia, do povo Akrãntikatêgê, de Marabá (PA), resiste em um território cortado pela mineração e por diversos empreendimentos econômicos.

Contando com a voz potente da radialista Mara Régia, segue o olhar de Ailton Krenak e tem seu pensamento como grande inspiração. Afinal, nas palavras do mestre indígena: “o futuro é ancestral e a humanidade precisa aprender com ele a pisar suavemente na terra”.

 

Capa do documentário Pisar Suavemente na Terra. Um globo verde encapsula o título do livro. Ao redor e ao fundo, terras sem árvores

‘Pisar Suavemente na Terra’
Direção e Produção: Marcos Colón
Roteiro: Bruno Malheiro & Marcos Colón
Com Katia Silene Akrãtikatêjê, Mara Régia, Manoel Munduruku, José Manuyama e Ailton Krenak
Fotografia: Bruno Erlan & Marcos Colón
Edição e Trilha Original: Diego Farias
Produção Executiva: Marcos Colón
País e ano de produção: Brasil, Peru e Colombia / 2021
Coprodução: Amazônia Latitude Films
Duração: 72 minutos
Estreia: Novembro/2021

 

Leia a versão em inglês
 
 

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