Em Belém, Amazônia Latitude Press lança livro sobre ‘capitalismo de guerra’ do bolsonarismo no Brasil

Bruno Malheiro lançou livro em Belém, PA
Bruno Malheiro usa dados para provar que Bolsonaro venceu onde avançaram agronegócio, garimpo, desmatamento e armamento - Foto: Ana Vitória Gouvêa/Amazônia Latitude

O livro “Geografias do Bolsonarismo: entre a expansão das commodities, do negacionismo e da fé evangélica no Brasil”, do geógrafo e professor Bruno Malheiro, foi lançado nessa segunda-feira (5) em Belém, no Pará. Essa é a primeira obra da editora Amazônia Latitude Press. Entre os convidados estavam professores, pesquisadores, políticos e ativistas.

A data não foi escolhida aleatoriamente. No dia 5 de junho, completou-se um ano do assassinato dos ativistas ambientais Bruno Pereira e Dom Phillips. Além disso, foi o Dia Mundial do Meio Ambiente, momento de refletir sobre a preservação da Amazônia. 

“Está aqui é fazer ouvir essas vozes esquecidas, dessas geografias do autoritarismo e do bolsonarismo, é para marcar também uma posição de resistência a essas geografias, para que possamos conseguir imaginar o Brasil além dessas frentes que acabam destruindo, matando e desmatando”, disse o autor e professor Bruno Malheiro.

O lançamento foi apoiado pelo Instituto Socioambiental (ISA) Casa Amazônia, em Belém, que apresentou a nova composição do Conselho Geral do Instituto, que abre para as atividades neste mês de junho. A proposta do ISA é promover debates ambientais, produção de estudos e pesquisas socioambientais, de formação popular e de defesa dos direitos humanos dos povos dos rios e das florestas.

A coordenadora executiva do ISA Casa Amazônia, Vivi Reis, comentou sobre apoiar essas iniciativas. Para ela, o livro esclarece e ajuda a construir um alinhamento político e a entender os desafios que foram postos nos últimos quatro anos no governo de Jair Bolsonaro. 

“A gente vive hoje numa conjuntura em que o país tenta buscar alternativas para questões ambientais, em especial para a Amazônia. É uma alegria lançar o livro do professor Bruno Malheiro, porque a obra tem tudo a ver com o que o Instituto se dispõe a construir”, afirmou.  

A obra

O livro fala com propriedade sobre as bases espaciais que sustentam o bolsonarismo como um projeto de país, que permanece vivo na sociedade brasileira, mesmo após a derrota de Bolsonaro nas urnas. A obra está inserida num contexto de abertura aos estudos acadêmicos em relação aos danos permanentes causados pelo bolsonarismo na sociedade brasileira.

Malheiro reúne dados que revelam como pautas defendidas pelo bolsonarismo estão diretamente ligadas às cidades onde Jair Bolsonaro venceu Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022. Ele exemplifica o crescimento do agronegócio, com destaque para a soja e a pecuária; o desmatamento provocado principalmente na Amazônia, resultado da exploração ilegal de madeira.

O autor traz ainda números que revelam a explosão do garimpo durante os quatro anos do governo Bolsonaro, como ele foi legalizado pelo Estado, e os impactos que trouxe para a região amazônica. Bruno afirma que o bolsonarismo fortaleceu a extrema-direita no Brasil e se instaurou como um “vírus” na sociedade, despertando um “capitalismo de guerra” sustentado numa “dinâmica política de controle territorial”. 

A partir de um entendimento do bolsonarismo e suas engrenagens, o livro problematiza a expansão das commodities na Amazônia, o vínculo do ex-presidente com a música sertaneja, a fé cristã, e o armamento, e avalia seu papel dentro de um contexto de fome e miserabilidade na região. 

“O livro é uma tentativa de mostrar que, na verdade, o bolsonarismo não é um algo isolado da expansão capitalista que o Brasil enfrenta. Essa relação me parece que abre as cortinas para pensarmos o bolsonarismo a partir de bases espaciais, não só das commodities, mas também do negacionismo e da fé evangélica que se expandem dentro desse contexto”, fala o autor.

O livro de Bruno Malheiro foi vendido presencialmente na ocasião em Belém e, em breve, estará disponível em lojas online e no próprio site da editora Amazônia Latitude Press. 

Print Friendly, PDF & Email

Você pode gostar...

Translate »