Amazônia em 5 minutos: paralisação de servidores do Ibama

Foto: Vinícius Mendonça/Ibama. Arte: Fabrício Vinhas/Amazônia Latitude.

Amazônia em 5 minutos: paralisação de servidores do Ibama e aumento de crimes ambientais

Amazônia em 5 minutos: paralisação de servidores do Ibama
Foto: Vinícius Mendonça/Ibama. Arte: Fabrício Vinhas/Amazônia Latitude.

Na primeira sexta-feira de 2024, o “Amazônia em 5 minutos” traz as principais notícias sobre a maior floresta tropical do planeta que aconteceram entre os dias 22 de dezembro e 4 de janeiro. Os destaques desta semana são:

  • Servidores do Ibama suspendem atividades de fiscalização externa e cobram reajuste salarial;
  • Desmatamento e ocupação de terras públicas aumentam ao longo da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho;
  • Piratas, milícias e facções criminosas atuam pelo tráfico de drogas na Amazônia, e rio Solimões se torna a principal rota para transporte das drogas.

Ouça abaixo o episódio completo em português ou clique aqui para acessar a versão em inglês 🇬🇧.

 

Atividades do Ibama suspensa

Servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) suspenderam atividades de fiscalização externa. A paralisação foi anunciada na terça-feira (02) por cerca de 1.200 funcionários da instituição, que estão realizando apenas atividades burocráticas. A fiscalização externa foi suspensa como forma de pressionar o governo por melhorias para a categoria de especialistas em meio ambiente.

Cerca de 2 mil funcionários do Ibama já aderiram à paralisação. Eles cobram reajuste salarial e a reestruturação da carreira. Em uma carta enviada a órgãos do governo federal para anunciar a ação, os servidores afirmaram que a categoria está abandonada há dez anos.

A suspensão das atividades externas afeta combate a incêndios, fiscalização de crimes ambientais, como garimpo ilegal, e até vistorias para licenciamento ambiental.

As negociações por melhorias para a categoria começaram em agosto, mas, segundo os servidores, ainda não tiveram resposta. Agora, eles cobram o retorno das negociações com o Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI). O MGI é chefiado pela economista Esther Dweck, filiada ao PT.

Crime nos rios da Amazônia

Piratas, milícias e facções criminosas atuam em um trajeto de 1.700 km no rio Solimões, o equivalente à distância da estrada que liga São Paulo ao Uruguai. A informação faz parte de um levantamento publicado pelo UOL na quarta-feira (3), com informações do Ministério Público e da Polícia Civil.

De acordo com a reportagem, os criminosos aproveitam o labirinto de rios na região Norte para transportar toneladas de drogas produzidas principalmente no Peru e na Colômbia até o porto de Barcarena, no Pará. De lá, a droga é levada para países asiáticos, africanos e europeus. Além do rio Solimões, os criminosos usam rotas nos rios Javari, Japurá, Içá, Negro e Envira.

A presença do narcotráfico aumenta outros episódios de violência, como assaltos a embarcações e tiroteios.

Segundo a reportagem, o interesse de facções como o Comando Vermelho e o PCC nessa rota de tráfico se intensificou em 2016, quando o narcotraficante Jorge Rafaat foi assassinado em uma emboscada no Paraguai. Ele era conhecido como o rei do tráfico, e sua morte fez com que grupos criminosos no Brasil passassem a participar da dinâmica do tráfico internacional de drogas.

Força Nacional de Segurança Pública

O Ministério da Justiça e Segurança Pública autorizou a Força Nacional a continuar atuando na Amazônia Legal. O prazo de atuação do programa foi estendido por mais 90 dias, até o final de março.

Os agentes da Força Nacional vão continuar agindo em operações ao lado de servidores do Ibama e do Instituto Chico Mendes (ICMBio). As iniciativas têm o objetivo de combater crimes como desmatamento, queimadas ilegais, extração ilegal de minério e madeira, invasão de áreas públicas federais, crime organizado e narcotráfico.

Em 2023, a Força Nacional já vinha atuando em operações de combate a esses crimes, como a operação de retirada de invasores da Terra Indígena Apyterewa, no Pará, a mais desmatada nos últimos anos.

Desmatamento no BR-319

A seca que atinge a Amazônia fez com que os rios chegassem a baixas históricas, o que afeta a navegação pela região. Com isso, a pressão pela conclusão das obras da BR-319 aumentou no governo federal. A rodovia liga Manaus, no Amazonas, a Porto Velho, capital de Rondônia.

Antes mesmo do licenciamento ambiental da obra ser aprovado, uma vistoria feita pelo Ibama em setembro de 2023 revelou que o desmatamento e a ocupação de terras públicas ao longo da rodovia aumentou.

A Folha de S.Paulo obteve o relatório da vistoria, que revelou 225 áreas degradadas ao longo dos quase 900 km da rodovia. O documento também mostra o avanço do desmatamento para as áreas central e norte do Amazonas, que são as duas das regiões mais preservadas da Amazônia.

Neste episódio, utilizamos informações de Agência Brasil, CNN Brasil, Folha de S.Paulo, G1, Metrópoles, O Globo, Repórter Brasil e UOL.
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