Amazônia em 5 minutos: narcotráfico no Equador e combate ao garimpo na terra Yanomami

Narcotráfico no Equador
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil. Arte: Fabrício Vinhas/Amazônia Latitude.
Narcotráfico no Equador

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil. Arte: Fabrício Vinhas/Amazônia Latitude.

O “Amazônia em 5 minutos” desta semana traz as principais notícias sobre a maior floresta tropical do mundo que aconteceram entre os dias 5 e 11 de janeiro. Os destaques desta semana são:

  • Equador declara estar em estado de conflito armado interno contra narcotraficantes. Até agora, pelo menos 14 pessoas foram mortas na onda de violência que o país enfrenta;
  • Após reunião com ministros, governo federal destina mais de 1 bilhão de reais ao enfrentamento da crise humanitária do povo Yanomami. Agora, o governo vai ter ações permanentes no território indígena;
  • 95% dos servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aderem à paralisação pela valorização da categoria. Servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também se juntam à paralisação.

Ouça abaixo o episódio completo em português ou clique aqui para acessar a versão em inglês 🇬🇧.

Narcotráfico no Equador

Na quarta-feira (10), o Equador declarou estar em estado de conflito armado interno contra narcotraficantes no país. Desde o dia 8, as gangues criminosas ligadas ao tráfico de drogas promovem uma onda de violência no país. Os traficantes mantêm agentes penitenciários como reféns, invadiram uma emissora de TV ao vivo e provocaram explosões em todo o território. Até o momento, pelo menos 14 pessoas morreram por causa da violência.

A situação começou depois da fuga do criminoso Adolfo Macías, apelidado como Fito, da prisão. Ele é conhecido como o narcotraficante mais perigoso do Equador e lidera uma das principais facções do país.

De acordo com dados divulgados pela polícia equatoriana, cerca de 70 pessoas suspeitas de envolvimento nas ações criminosas já foram presas.

O recente aumento da violência no Equador está relacionado à posição geográfica do país, entre o Peru e a Colômbia. Esses dois países são grandes produtores de cocaína. A rota do narcotráfico na região passou a ter interesse nos portos do Equador, que facilitariam o transporte da droga.

Garimpo na TI Yanomami

Em 20 de janeiro, completa-se um ano desde a declaração de emergência em saúde do povo Yanomami pelo governo federal. Mesmo depois de 12 meses de ações governamentais, o garimpo ilegal ainda permanece no território, que fica nos estados de Roraima e do Amazonas. Os indígenas continuam sofrendo com a degradação ambiental, a contaminação por mercúrio e a desnutrição.

Na manhã de terça-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com 12 ministros para avaliar as ações tomadas no último ano para enfrentamento da emergência na terra indígena (TI) Yanomami. De acordo com o governo, foram realizados mais de 13 mil atendimentos de saúde e enviadas mais de 4 milhões de unidades de medicamentos e insumos ao território ao longo de 2023.

No encontro de terça-feira, também foi definida a abordagem deste ano para combater a crise humanitária. O presidente afirmou que o governo não vai perder a guerra contra o garimpo e que esse assunto vai ser tratado como uma questão de Estado. Além disso, Lula prometeu usar todo o poder da máquina pública para garantir os direitos do povo Yanomami.

Logo após a reunião, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, divulgou a criação de uma estrutura permanente do governo no território Yanomami para coordenar as ações e serviços públicos direcionados aos indígenas. A estimativa é de um orçamento de R$1,2 bilhão em 2024 para o conjunto de ações da União e continuidade do atendimento à população Yanomami.

A presidente da Comissão da Amazônia e dos Povos Originários da Câmara, Célia Xacriabá, refletiu que as novas medidas tomadas pelo governo são, sim, importantes.

Mas a deputada alertou para a necessidade de uma investigação e monitoramento mais aprofundados dos garimpeiros, que podem migrar para outras regiões e TIs. Como exemplo, a deputada considerou que, durante as ações de desintrusão em 2023, os garimpeiros começaram a transitar em direção às terras Munduruku e Kayapó.

Paralisação no Ibama e no ICMBio

Cerca de 95% dos servidores do Ibama já aderiram à paralisação iniciada no dia 2 de janeiro, segundo informação divulgada em um documento do instituto assinado na sexta-feira (5). No mesmo dia, servidores do ICMBio também decidiram aderir.

Os servidores tentam negociar o aumento salarial e uma melhoria nas condições de trabalho desde o segundo semestre de 2023. Agora, realizam apenas ações burocráticas e suspenderam as atividades de fiscalização externa, o que impacta o monitoramento de crimes ambientais e análises para licenciamento ambiental.

Os servidores convocaram uma manifestação em Brasília, em frente ao Ministério do Meio Ambiente, na quinta-feira (11), pela reestruturação da categoria.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, as solicitações dos servidores são prioridades. O ministério informou, ainda, que a primeira etapa da negociação aconteceu em outubro do ano passado e que a segunda reunião está agendada para o dia 1º de fevereiro.

Queda no desmatamento

O desmatamento na Amazônia caiu pela metade em 2023, segundo dados do sistema Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A estatística foi divulgada no dia 5, e refere-se ao período de janeiro a dezembro.

Em 2022, quando o desmatamento na Amazônia atingiu seu recorde, a área desmatada foi de mais de 10 mil km². Em 2023, caiu para pouco mais de 5 mil km².

Considerando o levantamento, os estados que mais desmataram em 2023 foram: o Pará, com quase 2 mil km² derrubados; o Mato Grosso, com cerca de 1.400 km²; e o Amazonas, com quase 900 km² desmatados.

A queda do desmatamento na Amazônia é uma boa notícia, mas ainda existem preocupações. Enquanto os números foram menores na região, bateram um recorde no Cerrado em 2023. Foram quase 8 mil km² desmatados no bioma, o equivalente a mais de cinco vezes a área da cidade de São Paulo.

Neste episódio, utilizamos informações de: Agência Brasil, Agência Pública, Brasil de Fato, Congresso em Foco, CNN Brasil, Estadão, Folha de São Paulo, Fundação Padre Anchieta, G1, O Globo, Metrópoles e UOL.
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