Revista Amazônia Latitude é finalista do Prêmio Gabo 2026 ao lado de veículos de cinco países amazônicos
A indicação na categoria "Cobertura" reconhece o especial "Autopistas de Depredación", projeto colaborativo com apoio do Pulitzer Center que investigou o tráfico de animais silvestres em cinco países amazônicos

Revista Amazônia Latitude foi anunciada como uma das finalistas do prestigiado Prêmio Gabo 2026 na categoria Cobertura. O especial
Autopistas de Depredación resulta de uma investigação colaborativa entre cinco países. Arte: Loan Bastos/Amazônia Latitude.
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A Fundação Gabo anunciou nesta quinta-feira (25) os finalistas do Prêmio Gabo 2026, um dos mais importantes e prestigiados reconhecimentos do jornalismo ibero-americano. Entre os três trabalhos finalistas da categoria Cobertura está a investigação multimídia transfronteiriça Autopistas de depredación: anatomía del tráfico de animales en la Amazonía, realizada com o apoio do Pulitzer Center.
O especial reúne jornalistas e veículos do Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru e Equador em uma investigação colaborativa sobre as redes de tráfico de fauna silvestre que operam na Amazônia para além das fronteiras nacionais. Participam do projeto Amazônia Latitude, do Brasil; Revista Nómadas, da Bolívia; Casa Macondo, da Colômbia; Ojo Público, do Peru; e Revista Vistazo e Código Vidrio, do Equador.
A partir de extensa apuração em campo, análise de dados e colaboração entre equipes dos cinco países, a investigação revela que o tráfico de animais silvestres na Amazônia é muito maior do que indicavam as estimativas disponíveis. O trabalho identifica rotas, métodos de atuação, mercados consumidores e falhas de fiscalização que permitem a continuidade desse comércio ilegal, que ameaça espécies fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas amazônicos.
Representando o Brasil, a Amazônia Latitude produziu a reportagem “O Brasil sem Números, Amazônia sem Asas“, resultado de meses de investigação de campo, análise de dados e apuração documental. A reportagem demonstra como a ausência de informações oficiais sobre o tráfico de animais silvestres dificulta o enfrentamento de um dos crimes ambientais mais lucrativos da região.
Criado pela Fundação Gabo, o prêmio recebeu nesta edição 1.915 trabalhos de 20 países, avaliados por 66 jurados internacionais, que selecionaram os 15 finalistas distribuídos entre as categorias Texto, Imagem, Fotografia, Áudio e Cobertura. O reconhecimento destaca reportagens que ajudam a compreender alguns dos principais desafios contemporâneos da Ibero-América, como a crise climática, o crime organizado, as migrações e a defesa da democracia.
Para Marcos Colón, diretor da Amazônia Latitude, veículo que fundou, e coordenador editorial da investigação no Brasil, a indicação reconhece a importância do jornalismo colaborativo para compreender problemas que ultrapassam as fronteiras nacionais.
Ser finalista do Prêmio Gabo é um reconhecimento ao jornalismo que nasce do território e se constrói em colaboração. Mais do que premiar uma investigação, essa indicação dá visibilidade internacional a um crime ambiental que permanece amplamente invisível e reforça a importância de produzir reportagens de longo prazo sobre a Amazônia, com rigor, escuta e cooperação entre jornalistas de diferentes países.”
Os vencedores serão anunciados no dia 24 de julho, em Bogotá, durante o Festival Gabo.
