Dia da Mulher em Belém teve homenagem a assassinadas e conflito na Alepa

Na chegada à Assembleia Legislativa, houve um princípio de confusão quando policiais militares lançaram spray de pimenta contra manifestantes. Foto: Anderson Barbosa

Fotos: Anderson Barbosa / Amazônia Latitude

Feministas e movimentos sociais realizaram nesta quarta-feira em Belém a tradicional manifestação de 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres. A concentração teve início às 8h no Largo do Redondo e saiu em marcha até a Alepa (Assembleia Legislativa do Estado do Pará).

Durante o ato, foram apresentados os índices de violência praticada contra mulheres, que nos últimos anos tiveram um aumento significativo.

O Brasil teve um aumento de 5% nos casos de feminicídio em 2022 em comparação com 2021, aponta levantamento feito pelo g1 com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal. Foram 1.410 mulheres mortas apenas pelo fato de serem mulheres –uma a cada 6 horas, em média.

De acordo com dados do Atlas da Violência de 2022, corram cerca de 822 mil casos de estupro no Brasil por ano, mas apenas 8,5% deles chegam ao conhecimento da polícia e 4,2% são identificados pelo sistema de saúde. Mais de 80% das vítimas são mulheres.

Homenagem a ativistas assassinadas

O ato de 8 de março incluiu bandeiras que homenageavam três lideranças assassinadas nos últimos anos:

  • Dilma Ferreira Silva, militante do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), assassinada em março de 2019 dentro de sua residência, no assentamento Salvador Allende, região de Tucuruí (PA).
  • Marielle Franco, socióloga e vereadora do Rio de Janeiro, ativista da comunidade LBGTQIA+, assassinada em março de 2018.
  • Nilce de Souza Magalhães (Nicinha), pescadora e líder do MAB, assassinada em janeiro de 2016 num acampamento na zona rural de Porto Velho.

Confusão em frente à Alepa

No caminho, integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) realizaram uma intervenção com tinta vermelha, simulando sangue, na fachada da Faepa (Federação da Agricultura e Pecuária do Pará).

Em frente à sede da Assembleia Legislativa aconteceu um tumulto, com policiais militares lançando spray de pimenta nas primeiras manifestantes que se concentraram na escadaria do edifício. Uma mulher foi atingida, socorrida pelas próprias manifestantes e levada à UPA do bairro do Jurunas.

Outro lado

Em nota, a Alepa afirmou que estava em sessão quando os manifestantes “chegaram com ânimos exaltados e demonstrando a intenção de invadir o prédio”. “Alguns estavam com o rosto coberto, e a maioria portava bastões de madeira e batiam no corrimão e outras estruturas do prédio.”

Ainda segundo a nota, a Guarda Legislativa tentou conter o risco de invasão. “Por serem poucos guardas de serviço, em desvantagem numérica, foi necessário o uso de spray de pimenta –apenas um jato para o alto.”

A Alepa diz que apenas uma manifestante passou mal durante o tumulto e que a equipe de bombeiros legislativos prestou socorro imediato.

Fotos: Anderson Barbosa/Amazônia Latitude

Feministas em Belém se concentraram no Largo do Redondo para a manifestação do Dia Internacional de Luta das Mulheres. Com cartazes e faixas com palavras de ordem contra o fascismo e o machismo, percorreram as principais avenidas da cidade, em direção à Assembleia Legislativa.

Movimento homenageou mulheres ativistas assassinadas: Dilma Ferreira Silva e Nilcinha, militantes do MAB, e Marielle Franco.

No caminho, integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), realizaram uma intervenção na fachada da Federação da Agricultura e Pecuária do Pará e lançaram tinta vermelha.

Na chegada à Assembleia Legislativa, houve um conflito quando policiais militares lançaram spray de pimenta contra manifestantes. Pelo menos uma mulher foi socorrida pelas próprias manifestantes e levada à UPA-Jurunas.

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