Assentamento Califórnia, 30 anos: a terra que é resistência

A trajetória das três gerações que transformaram um conflito agrário em território de permanência às margens da BR-010.

A mística da permanência: jovens do Assentamento Califórnia em 2002, logo após uma encenação da ocupação da fazenda, em frente à igrejinha de São José. Vinte e quatro anos depois, a maioria dessas pessoas formou suas próprias famílias no território. Foto: Acervo Assentamento Califórnia.
A mística da permanência: jovens do Assentamento Califórnia em 2002, logo após uma encenação da ocupação da fazenda, em frente à igrejinha de São José. Vinte e quatro anos depois, a maioria dessas pessoas formou suas próprias famílias no território. Foto: Acervo Assentamento Califórnia.
A mística da permanência: jovens do Assentamento Califórnia em 2002, logo após uma encenação da ocupação da fazenda, em frente à igrejinha de São José. Vinte e quatro anos depois, a maioria dessas pessoas formou suas próprias famílias no território. Foto: Acervo Assentamento Califórnia.

Jovens do Assentamento Califórnia em 2002, após uma encenação da ocupação da fazenda, em frente à igrejinha de São José. Vinte
e quatro anos depois, a maioria dessas pessoas formou suas próprias famílias no território. Foto: Acervo Assentamento Califórnia.

Escrevo estas linhas de frente para a igrejinha de São José, na entrada do Assentamento Califórnia. Às minhas costas corre a BR-010, rodovia que liga Belém a Brasília e atravessa histórias de migração, conflito e esperança. À minha frente, um pequeno templo branco, hoje erguido em alvenaria, pintado, com rodapés revestidos em cerâmica, ocupando um terreno de aproximadamente 50 por 80 metros. Ao fundo da capelinha, o poço coletivo que abastece a comunidade.

Trinta anos atrás, este mesmo espaço era chão batido, madeira reaproveitada, palha e telhas envelhecidas pelo sol. A transformação física da igreja é apenas um dos muitos símbolos da trajetória de um território que nasceu da ocupação e se consolidou como comunidade organizada.

O Assentamento Califórnia completa três décadas de existência oficial em 26 de março de 2026. Para marcar a data, a comunidade preparou um calendário anual de atividades que pretende resgatar a memória da luta, celebrar as conquistas e reafirmar o pertencimento construído ao longo de gerações.

O território e suas marcas

Localizado a cerca de 13 quilômetros do centro do município de Açailândia, no Maranhão, o assentamento ocupa uma área elevada em relação à cidade. Essa característica topográfica, aparentemente neutra, define um dos principais desafios históricos da comunidade: a água. Não há rios correntes nem nascentes superficiais. O líquido sempre foi escasso.

À época da ocupação, a então Fazenda Califórnia possuía dois poços que garantiam abastecimento interno, distantes cerca de 10 quilômetros um do outro. O poço localizado na área que viria a ser a “vila”, praticamente às margens da BR, tornou-se estratégico nos primeiros dias do acampamento. Cláudio Amorim, filho de seu Vicente, um dos fundadores da Vila (in memoriam), lembra:

Controlar a água significava garantir permanência […] Teve sim muita dificuldade nesse período, mas conseguiu vencer diante dessa principal briga.”

Da serraria clandestina à comunidade organizada

Antes da chegada das famílias, a Fazenda Califórnia não se caracterizava prioritariamente pela pecuária, apesar da vasta área de capim. Sua atividade central girava em torno da extração ilegal de madeira. Havia indícios claros de funcionamento de uma serraria clandestina.

No terreno existiam duas construções: uma servia como estrutura administrativa da serraria; a outra aparentava ser moradia — possivelmente de um caseiro, capataz ou representante do proprietário. Foi nesse espaço que se instalou o acampamento, batizado de “Vila Velha”.

Um trator utilizado para a derrubada de árvores estava na área, alimentando a serraria instalada ali mesmo. A dinâmica era típica de um ciclo predatório: retirada de madeira, processamento imediato e escoamento pela proximidade estratégica da BR-010, corredor logístico que conecta o Norte ao Centro-Oeste do país.

No terreno, acumulava-se uma montanha do que, no sul do Maranhão, se chama simplesmente de “pó” — a serragem. Um volume impressionante, resíduo direto da exploração madeireira. Aquela montanha, símbolo do desperdício e da devastação ambiental, mais tarde se tornaria cenário de um episódio trágico ainda vivo na memória das famílias.

Foi ali que ocorreu a morte de um garoto que caiu na montanha de serragem acumulada pela antiga serraria, que permanecia queimando havia anos. O material, aparentemente inofensivo à superfície, escondia focos de calor intenso no interior. O menino não resistiu. Uma outra criança, uma menina que também brincava no local, sobreviveu, mas ficou com sequelas permanentes em um dos pés.

A terra que produz: Raimundo Tibúrcio batendo arroz em 1997, durante um dos primeiros períodos de produção da Vila Velha. O registro simboliza a retomada da autonomia alimentar das famílias assentadas. Foto: Acervo Assentamento Califórnia.

A terra que produz: Raimundo Tibúrcio batendo arroz em 1997, durante um dos primeiros períodos de produção da Vila Velha. O registro simboliza a retomada da autonomia alimentar das famílias assentadas. Foto: Acervo Assentamento Califórnia.

O contexto dos anos 1990 e a luta pela terra

O nascimento do Assentamento Califórnia precisa ser situado no contexto dos anos 1990. O Brasil atravessava profundas transformações econômicas e sociais. A reestruturação produtiva e o avanço de políticas neoliberais intensificavam desigualdades. Nas periferias das grandes cidades, cresciam a criminalidade e a precariedade.

No campo brasileiro, as décadas anteriores foram marcadas pela grilagem que expulsou trabalhadores para as cidades. As cidades eram a promessa de progresso que nem sempre se concretizava. Transformaram-se em periferias, favelas sem infraestrutura.

A partir do final da década de 1970, especialmente após 1979, a reforma agrária voltou a ocupar lugar central na agenda dos movimentos sociais, das pastorais ligadas à Igreja e das organizações populares do campo. As lições das Ligas Camponesas, organizações específicas do nordeste brasileiro que lutavam pela terra, somaram-se a outras experiências, como o Movimento dos Agricultores Sem Terra (Master), que atuou no Rio Grande do Sul nos anos 1960 e 1970. Embora anterior ao Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), o Master já organizava ocupações de terra e pressionava por reforma agrária, deixando sua herança para a luta que viria.

Esse tema foi incorporado à Constituição Federal de 1988, que estabeleceu o princípio da função social da propriedade. A terra deixou de ser compreendida apenas como bem privado e passou a ser condicionada ao cumprimento de requisitos sociais, produtivos e ambientais. Quando improdutiva ou utilizada de forma irregular, tornou-se passível de desapropriação para fins de reforma agrária.

Nesse contexto, a luta pela terra não era apenas reivindicação econômica. Era direito constitucional, instrumento de redistribuição e tentativa de garantir condições dignas de vida a camponeses que haviam sido deslocados ou marginalizados pelo modelo concentrador de desenvolvimento. Havia muita gente sem terra e muita terra desabitada e improdutiva.

Dona Antônia da Silva Costa e Seu Justino Gomes Costa (in memoriam) em registro de 1996 na Vila Velha. A imagem captura o cotidiano de trabalho e a precariedade das primeiras moradias de palha. Foto: Acervo Assentamento Califórnia.

Antônia da Silva Costa e Justino Gomes Costa na Vila Velha, em 1996. O registro em frente à moradia de palha simboliza o rompimento com a precariedade das periferias urbanas em busca da autonomia no campo. Foto: Acervo Assentamento Califórnia.

No Maranhão, com suas lutas por terras pontuais espalhadas por várias regiões, não era diferente. A pressão de governos, em determinados períodos, incentivou a legalidade da grilagem, como documentou o padre Victor Asselin no livro Grilagem: Corrupção e Violência em Terras do Carajás (1982).

Na Região Tocantina, essa dinâmica era evidente. Imperatriz, segunda maior cidade do estado e principal polo da região banhada pelo Rio Tocantins, consolidava-se como centro urbano e comercial. Açailândia crescia impulsionada pela atividade siderúrgica, pela exploração madeireira e por sua posição estratégica na BR-010 e na Estrada de Ferro Carajás. O crescimento, porém, escondia contradições profundas.

Foi nessa região, especialmente em Imperatriz, que surgiu a primeira ocupação do MST no solo maranhense: a ocupação da Fazenda Itacira, hoje Assentamento Vila Conceição I e II, em 1987 — nove anos antes da ocupação que daria origem ao Assentamento Califórnia. Com sua territorialização pelo Brasil, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra começou a organizar a luta pela reforma agrária na prática, com sua tática principal: as ocupações.

Grande parte dos moradores das periferias dessas cidades era formada por camponeses desenraizados. Homens e mulheres que, anos antes, cultivavam pequenos lotes, mas foram expulsos por grileiros, pressionados por conflitos fundiários ou convencidos a vender suas terras. Em muitos casos, houve aliciamento; em outros, violência direta; em outros ainda, a sedução ideológica da cidade grande como promessa de vida melhor.

A ocupação que deu origem ao Califórnia

A ocupação da Fazenda Califórnia não surgiu do acaso. Foi fruto desse acúmulo histórico. Quando as famílias atravessaram a cancela em 26 de março de 1996, não reivindicavam apenas hectares. Reivindicavam pertencimento e reconstrução de autonomia.

A ocupação integrou o processo de luta pela reforma agrária organizado pelo MST, que naquele período já acumulava cerca de dez anos de atuação no estado do Maranhão. O movimento foi fundado oficialmente em 1984, durante o Primeiro Encontro Nacional realizado em Cascavel, no Paraná. No entanto, suas primeiras ações, ainda de forma pontual, ocorreram entre 1979 e o momento da fundação formal, especialmente na região Sul do país. A articulação inicial contou com forte influência da Comissão Pastoral da Terra (CPT), vinculada à Igreja Católica, que atuava no acompanhamento dos conflitos agrários. Posteriormente, o movimento consolidou autonomia organizativa em relação à Igreja e a outras instituições.

No Maranhão, a presença do MST passou a dialogar com uma realidade marcada pelo deslocamento de trabalhadores rurais para as periferias urbanas. Na região Tocantina, especialmente em cidades como Imperatriz e Açailândia, concentravam-se famílias que haviam sido expulsas do campo.

A ocupação reuniu cerca de 250 famílias oriundas desses municípios e de outras cidades menores da região. O objetivo era reorganizar trabalhadores rurais sem terra e possibilitar o retorno à atividade agrícola, dentro da concepção defendida pelo movimento de que a reforma agrária representa a retomada da terra por aqueles que historicamente foram afastados dela.

Momento da troca de bandeiras após caminhada pelas ruas do assentamento. A atividade reafirma o compromisso coletivo com a reforma agrária. Foto: Acervo Assentamento Califórnia.

Momento da troca de bandeiras após caminhada pelas ruas do assentamento. A atividade reafirma o compromisso coletivo com a reforma agrária. Foto: Acervo Assentamento Califórnia.

A ocupação ocorreu em março, mês dedicado a São José, padroeiro dos trabalhadores e, não por acaso, padroeiro da comunidade que ali se formaria. A igreja que hoje se prepara para mais um festejo nasceu da precariedade dos primeiros tempos. Era pequena, feita de tábua, coberta com o que fosse possível reunir. Hoje, sólida e branca, representa mais que fé: é símbolo da permanência.

Poucos dias depois da entrada — entre dois e quatro dias — veio a ordem judicial de reintegração de posse. As famílias foram despejadas e passaram a viver às margens da rodovia, em frente ao primeiro assentamento do MST no Maranhão, a Vila Conceição I e II. Àquela altura, a comunidade vizinha já acumulava cerca de dez anos de organização e experiência, desempenhando papel fundamental no apoio político e estrutural aos despejados.

O acampamento Califórnia permaneceu por aproximadamente três meses à beira da BR 010. Nesse período, além de resistirem às condições adversas, as famílias continuaram o trabalho organizativo. Novos trabalhadores e trabalhadoras sem terra foram chegando de diversas localidades da Região Tocantina.

Paralelamente, militantes que já estavam em processo de formação retornaram às periferias urbanas para realizar trabalho de base — atividade fundamental do movimento, que consiste na mobilização, formação política e organização de novas famílias para futuras ocupações. O resultado foi uma reorganização ainda maior.

Após cerca de dois a três meses, aproximadamente 850 famílias se reuniram e realizaram a reocupação da área da Fazenda Califórnia. Desse total, cerca de 200 permaneceram definitivamente na área que se consolidaria como Assentamento Califórnia.

As demais famílias foram redistribuídas para outras áreas ocupadas naquele momento, incluindo terras públicas. Parte delas foi direcionada para áreas vinculadas à Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), que eram utilizadas para treinamentos do 50º Batalhão de Infantaria de Selva, sediado em Imperatriz.

Posteriormente, essas famílias organizaram outro projeto de assentamento: o Projeto de Assentamento Açaí, estruturado em cinco agrovilas — Nova Conquista, Macaúba, Conquista da Lagoa, Sudelândia (também conhecida como 50 bis) e Jacaré.

É também essa trajetória de resistência, despejo, reorganização e reocupação que fundamenta a escolha de julho como segundo marco das comemorações dos 30 anos. Mais do que datas, março e julho simbolizam dois momentos decisivos: a entrada e a retomada.

O agrônomo Pedro Demboski, então membro da direção estadual do MST, conduz atividade de formação e estudo com brigadas durante encontro estadual realizado no Califórnia, em 2007. Foto: Acervo Assentamento Califórnia.

O agrônomo Pedro Demboski, então membro da direção estadual do MST, conduz atividade de formação e estudo com brigadas durante encontro estadual realizado no Califórnia, em 2007. Foto: Acervo Assentamento Califórnia.

A organicidade do MST e a formação de gerações

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra possui uma forma própria de organização, distinta de muitas outras entidades e movimentos sociais. Não se trata de estabelecer hierarquias de superioridade, mas de reconhecer que o MST construiu, ao longo de sua trajetória, uma pedagogia própria de organicidade. Essa estrutura combina ação direta, formação política e participação coletiva nas decisões.

Nos processos de ocupação e de acampamento, a luta pela terra não se limita à conquista do território. Paralelamente, desenvolve-se um processo contínuo de formação política da base. A intenção é capacitar sujeitos para dar continuidade ao projeto coletivo, fortalecendo a consciência crítica e o compromisso com a organização.

A juventude sempre ocupou papel estratégico nessa dinâmica. Integrada às instâncias de coordenação e aos espaços deliberativos, participa das decisões e assume responsabilidades dentro da estrutura organizativa. A formação, portanto, não é apenas teórica, mas prática, construída no cotidiano da luta.

No Assentamento Califórnia não foi diferente. Ao longo desses 30 anos, diversos militantes foram formados em diferentes níveis — desde a base comunitária até instâncias regionais e estaduais. A preocupação com o estudo e com a qualificação política sempre esteve presente como eixo estruturante do processo organizativo.

Entre aqueles que se destacaram nesse percurso estão militantes forjados na própria realidade do assentamento, cuja atuação contribuiu para a continuidade da luta e para o fortalecimento da comunidade ao longo das décadas.

Maria Iane da Silva Costa, uma das primeiras professoras do Califórnia, lecionando aos 18 anos em uma sala de madeira. Hoje na Guatemala, ela representa a formação política e social gerada na comunidade. Foto: Acervo Assentamento Califórnia.

Maria Iane da Silva Costa, uma das primeiras professoras do Califórnia, lecionando aos 18 anos em uma sala de madeira. Hoje na Guatemala, ela representa a formação política e social gerada na comunidade. Foto: Acervo Assentamento Califórnia.

Três décadas, três gerações

Trinta anos não são trinta dias. Ao longo de três décadas, o Assentamento Califórnia passou por transformações profundas, especialmente em sua organicidade e na forma como a comunidade se estrutura e se reconhece.

Algumas das pessoas que participaram do processo inicial já faleceram. Outras se afastaram do cotidiano da organização. Ao mesmo tempo, novas lideranças surgiram, novos moradores chegaram e o assentamento foi se renovando por dentro. Nesse período, formaram-se pelo menos duas gerações diretamente ligadas aos fundadores. Muitos daqueles que, no início da ocupação, tinham entre 14 e 17 anos, hoje são pais e mães de família. Cresceram acompanhando a consolidação da comunidade, constituíram suas próprias casas, alguns trouxeram companheiros e companheiras de outras localidades, outros formaram família ali mesmo.

Essas famílias também cresceram. Crianças que nasceram no assentamento já se tornaram jovens e adultos. Assim, é possível afirmar que a história do Califórnia já atravessa três gerações — todas marcadas, de formas diferentes, pela experiência da luta, da permanência e da construção coletiva. Muita coisa mudou ao longo desse tempo. Mudaram as pessoas, mudaram as responsabilidades, mudaram as formas de organização. O que permanece é o vínculo com a memória de origem e com o território conquistado.

A cartografia simbólica da permanência

A Igreja de São José e as ruas do assentamento hoje. Trinta anos depois, o território de lona e poeira deu lugar a uma comunidade sólida e arborizada. Foto: Zé Luís Costa/Amazônia Latitude.

A Igreja de São José e as ruas do assentamento hoje. Trinta anos depois, o território de lona e poeira deu lugar a uma comunidade sólida e arborizada. Foto: Zé Luís Costa/Amazônia Latitude.

Viro-me agora para a BR-010. Deixo às costas a igrejinha de São José e observo o fluxo constante da rodovia. A estrada segue indiferente ao tempo, mas aqui dentro o tempo é outro.

Na primeira rua, chamada Rua Padre Josimo — homenagem a um dos símbolos nacionais da luta pela terra —, a rotina segue seu curso. Enquanto registro estas linhas, passa diante de mim um dos fundadores do Assentamento Califórnia. Um dos que atravessaram a cancela há três décadas. Seu Cristino e todos seus filhos moram no assentamento. Ele empurra um carrinho de mão carregando o milho que quebrou no estabelecimento de seu Zé dos Cocos, outro fundador. O gesto se repete há três décadas.

Já não tem o vigor físico de outrora. O trabalho pesado de lavrador, sob o sol e com enxada, tornou-se mais difícil. O lote parece mais distante do que na juventude. Ainda assim, ele segue empurrando o carrinho com milho moído para alimentar galinhas e porcos. A cena, simples e cotidiana, traduz permanência. A luta pela terra não terminou na conquista jurídica; ela se renova no cotidiano.

À frente do assentamento, um mastro mantém hasteada a bandeira do MST. Não é a única. Há outra na Praça Manuel Almeida Pinho — espaço mais recente, com cerca de cinco anos — construída como área de convivência e memória coletiva. A praça homenageia seu Almeidinha, um dos ocupantes históricos, falecido durante a pandemia de Covid-19. Sua ausência é sentida, mas seu nome permanece inscrito no território.

Igreja, mastro, praça, carrinho de mão, poço coletivo: esses elementos compõem a cartografia simbólica do Assentamento Califórnia. Trinta anos depois da ocupação, o território já não é improviso. É lugar consolidado, atravessado por memórias e contradições. O que antes era serraria clandestina e montanha de serragem transformou-se em comunidade organizada. A transformação não foi apenas jurídica. Foi social, cultural e política.

José Luís da Silva Costa é jornalista formado pela UFMA e especialista em Questão Agrária, Agroecologia e Educação do Campo pelo IFMA. Fundador do blog Do Avesso e autor do livro-reportagem Terra de Bravura e Utopia: 25 anos do Assentamento Vila Conceição 1 e 2, é militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e morador do Assentamento Califórnia em Açailândia, Maranhão.

Revisão, Edição e Montagem de página: Juliana Carvalho
Direção: Marcos Colón

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