Não há futuro sem encantamento: a Amazônia que defendemos em 2026

Imagens de nascimento e encantamento encerram 2025 reafirmando a Amazônia viva, o jornalismo como luta e a esperança que insiste em amanhecer

Uma filhote albina, de tartaruga-da-amazônia, recém-nascida, é vista junto à outros filhotes, na Reserva Biológica do Abufari, em Tapauá (AM), 17 de novembro de 2025. Foto: Edmar Barros/Amazônia Latitude.
Uma filhote albina, de tartaruga-da-amazônia, recém-nascida, é vista junto à outros filhotes, na Reserva Biológica do Abufari, em Tapauá (AM), 17 de novembro de 2025. Foto: Edmar Barros/Amazônia Latitude.
Uma filhote albina, de tartaruga-da-amazônia, recém-nascida, é vista junto à outros filhotes, na Reserva Biológica do Abufari, em Tapauá (AM), 17 de novembro de 2025. Foto: Edmar Barros/Amazônia Latitude.

Entre tantas imagens que atravessaram 2025, a Amazônia Latitude se despede do ano guiada por aquelas que não apenas informam, mas encantam, imagens que traduzem resistência, luta e a possibilidade de um novo amanhecer.

O nascimento da tartaruga albina, capturado pelas lentes de resistência do fotojornalista Edmar Barros, não é apenas um registro raro da natureza. É símbolo. Em meio à devastação, algo frágil nasce. Em meio à violência, a vida insiste. A imagem celebra a luta silenciosa de cada filhote e, ao mesmo tempo, reverencia o trabalho incansável da equipe do ICMBio, que protege a floresta como quem protege um futuro possível, cuidando da vida quando quase tudo conspira contra ela.

A segunda imagem que nos marca é a da sumaúma, árvore-mãe, guardiã do tempo e da memória da Amazônia. Símbolo de luta pela vida, ela desafiou e desafia a dureza do asfalto da COP30 e nos ensina que florescer no Antropoceno é um gesto de desobediência, de persistência e de esperança. Brotar, aqui, não é metáfora: é ato político.

Samaúma do Hangar, onde ocorreu a COP30. Foto: Khumta Suya/SUMAÚMA

Samaúma do Hangar, onde ocorreu a COP30. Foto: Khumta Suya/SUMAÚMA

Cruzamos 2025 carregando o peso de um ano duro, atravessado por conflitos, violências, retrocessos e disputas profundas sobre o destino da Amazônia. Mas encerramos este ciclo com a convicção de que a floresta segue viva, pulsante e resistente, e de que o jornalismo comprometido com a vida continua sendo uma ferramenta essencial de luta, memória e encantamento para seguir defendendo a Amazônia que queremos em 2026.

Ao longo de 2025, a Amazônia Latitude esteve onde sempre esteve: ao lado dos povos da floresta, dos territórios ameaçados, das águas violentadas, das escolas ocupadas, das comunidades em resistência. Acompanhamos de perto as lutas pela educação indígena em Belém e ao longo da BR-163, denunciamos censuras, reformas neoliberais e o desmonte do direito à educação. Seguimos atentos às batalhas jurídicas pelos direitos da natureza no Equador, às ameaças da exploração de petróleo na Foz do Amazonas, à caça ilegal e ao tráfico de fauna que transformam a floresta em mercadoria.

Narramos as lutas contra hidrelétricas, hidrovias e projetos mineiros que avançam sem consentimento sobre territórios indígenas e ribeirinhos. Registramos secas, cheias, incêndios, mas também os corpos que resistem: no Acampamento Terra Livre, nas ocupações Turiwara, na luta do povo Mura, nas quebradeiras de coco assassinadas no Pará, nos defensores de território silenciados pelo Estado e pela lógica do lucro.

2025 também foi um ano de memória. Ancestralizamos jornalistas, ativistas e guardiões da floresta. Publicamos fotogalerias que não apenas informam, mas tocam, do Círio de Belém às marchas populares pelo clima, das baixadas periféricas à Cúpula dos Povos. Pensamos a Amazônia pela gastronomia, pela literatura, pelo cinema, pela arte. Questionamos a COP30 quando ela flertou com o espetáculo vazio, mas também acompanhamos de perto as vozes que transformaram Belém em território de disputa política e simbólica.

É nesse contexto que escolhemos encerrar 2025 com uma imagem de nascimento.

A fotogaleria do nascimento da tartaruga albina nos convida a reencontrar o encantamento pela vida. Um encantamento que não escapa da realidade, mas a enfrenta: força política que brota do frágil, gesto de resistência que nasce do cuidado, fôlego coletivo que sustenta a luta quando tudo ao redor parece ruir.

A última imagem que trazemos é a do nascimento de Taimara. Um nome feminino de origem indígena que significa “estrela da manhã”, “luz que brilha ao amanhecer”. Taimara carrega em si a promessa do dia que começa, a claridade que rompe a noite longa, a energia que insiste em existir mesmo diante das adversidades.

Taimara, a luz do amanhecer. Foto: Juliana Carvalho/ Acervo Pessoal.

Taimara, a luz que brilha ao amanhecer. Foto: Juliana Carvalho/ Acervo Pessoal.

Filha da nossa editora Juliana Carvalho, Taimara nasce como esperança concreta, nunca abstrata, de que vale a pena seguir lutando pela Amazônia: por seus biomas, seus povos, suas culturas, suas encantarias. Ela nos lembra que a luta é, antes de tudo, pela vida que vem, pelos futuros que ainda podem ser tecidos com cuidado, protegidos com coragem e sonhados coletivamente. Seu nascimento reafirma o que nos move: defender a Amazônia é defender o direito de continuar amanhecendo.

Entramos em 2026 com essa convicção: a Amazônia não é apenas um território em disputa, é um campo de encantamento, de conhecimento vivo, de resistência ancestral e de futuros possíveis. Seguiremos fazendo jornalismo comprometido, crítico, sensível e indisciplinado. Seguiremos narrando a floresta não como cenário de tragédia inevitável, mas como território de vida que vale a pena defender.

Que 2026 nos encontre juntos.

Encantados, atentos, em luta.

Siga com a Amazônia Latitude.

Marcos Colón
Editor-in-Chief e Fundador da Amazônia Latitude
Southwest Borderlands Initiative
Professor of Media and Indigenous Communities
Walter Cronkite School of Journalism and Mass Communication
Arizona State University

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